A integridade é uma
virtude, e diz respeito à inteireza de caráter. Dizemos que alguém é integro
quando é coerente, não se mostra dividido. Há menção na Bíblia de um homem
chamado Jó, que era íntegro e reto, e que se desviava do mal (Jó. 1.1,2). Viver
em integridade é um desafio porque podemos ser moldados pela cultura na qual
nos encontramos. Por isso Paulo escreve aos Romanos, advertindo-os para que não
se coadunem à forma do mundo (Rm. 12.1,2). O desafio está posto, ou nos
moldamos ao mundo, conforme seu modo de pensar e agir, ou experimentamos a
vontade de Deus, que é perfeita, boa e agradável. O mundo jaz no Maligno, e é
inimigo de Deus, ninguém pode agradar a Deus e ao mundo ao mesmo tempo (I Jo.
2.14; Tg. 4.4). O mundo é inimigo de Deus porque se opõe aos Seus valores, as
propostas do mundo se enquadram dentro do relativismo, contrário à Palavra de
Deus. Daniel, Hananias, Mizael e Azarias estiverem na Babilônia, e
experimentaram o desafio de viver com integridade, no contexto de uma terra
estranha. Devemos lembrar, como cristãos, que somos cidadãos da terra e do céu.
Como cidadãos da terra, devemos agir com moderação, em respeito as autoridade,
com direitos e obrigações (Rm. 13.1). As autoridades são dignas de respeito,
mas não são soberanas, suas posições estão abaixo das determinações divinas
(At. 5.25-29). Quando os governantes impuserem valores anticristãos à
sociedade, devemos optar pela Palavra, isso porque estamos debaixo do senhorio
de Cristo (Mt. 28.18). Uma vida de integridade é manifesta em submissão, na
obediência Àquele que é verdadeiramente o Rei dos reis e Senhor dos senhores
(Ap. 19.16). Há uma tendência ao liberalismo moral na sociedade, e descaso em
relação aos problemas sociais, mas nós não devemos pactuar com esse pensamento.
A vida dos cristãos está fundamentada em valores eternos, cuja expressão é
Deus, que vive para sempre.
EM TEMPOS DE CRISE
POLÍTICA
Daniel foi desafiado
pela política aculturalista do império babilônico, a corrupção grassava naquele
solo (Dn. 5). O rei Nabucodonosor era um tirano, que centralizava o poder, e
mantinha as pessoas debaixo do seu jugo (Dn. 4). A política tende à
centralização, os governantes querem se perpetuar no poder. A soberba é uma
característica recorrente entre os políticos, principalmente àqueles que não
reconhecem seu papel social. A mudança de governo, dos babilônicos para os
medo-persas, não modificou o quadro de corrupção. Isso mostra que todos os
governantes podem ser picados pela “mosca azul”. O poderio econômico também
exerce influência sobre esses, que preferem satisfazer o mercado, que o elegeu
ao invés de buscar satisfazer os necessitados. Determinadas críticas que são
feitas entre os políticos soam como hipocrisia, alguns censuram seus opositores
pela corrupção, sendo culpados das mesmas atitudes. A crise política pela qual
Daniel passou não é muito diferente das que nos deparamos na sociedade. Temos a
necessidade inclusive de uma reforma política no Brasil, o processo
democrático, respeitando suas limitações, cumpre seu papel, mas precisa ser
aprimorado. Os políticos que entram no governo, até mesmo os evangélicos, ficam
tolhidos pelas amarras do sistema. De vez em quando são propagados casos de
corrupção, inclusive entre aqueles que se dizem evangélicos. Mas nem tudo está
perdido, existem aqueles que tal como Daniel não se misturam, permanecem
íntegros mesmo quando são perseguidos (Dn. 6.4-5). Na política dos homens
também existem os desafetos, que buscam oportunidade para condenaram os que
servem a Deus. Esses são os bajuladores do governo, que querem tirar vantagem,
perseguindo os que são fieis a Deus (Dn. 5.6-9). A vida de Daniel é uma
demonstração de integridade, mesmo quando proibido de orar, buscou seu quarto e
se voltou para a presença de Deus (Dn. 6.10).
FIDELIDADE A DEUS
Daniel preferiu
morrer a fazer concessões em relação a sua fé no Deus no vivo e verdadeiro.
Dario, por causa do seu amor à bajulação, tornou-se escravo das suas leis.
Assim acontece nos dias atuais, leis e mais leis são criadas, algumas delas
injustas, para oprimir os mais pobres (Is. 10.1). Essas leis são humanas,
resultantes da história, e das perspectivas modernas, podem ou não ter respaldo
bíblico. O rei não podia contrariar suas próprias leis, por isso foi obrigado a
colocar Daniel na cova com os leões. A arma de Daniel não foi material, ele não
quis fazer uma revolução, antes se entregou à oração (Dn. 6.10,11). A oração
precisa ser mais valorizada neste tempo de pragmatismo, em que as pessoas fazem
mais do que oram. A ação é imprescindível, não devemos deixar de fazer o que
nos compete, mas precisamos aprender a também depender de Deus. Daniel orava
três vezes ao dia, talvez em consonância com o salmista (Sl. 55.17), seguindo
uma disciplina espiritual. Em observância à palavra de Salomão, em I Rs.
8.46-49, se voltava constantemente em direção à Jerusalém, para buscar a
presença do Senhor. Nem sempre a oração nos livra de problemas, às vezes serve
para nos dar a força necessária para enfrentá-los. A fidelidade de Daniel foi
reconhecida por Deus, Ele defende nossa causa perante os inimigos (Dn. 6.24).
Como diz o próprio nome do profeta, Deus é nosso juiz, a maldade cairá sobre os
inimigos (Dn. 6.24). A exaltação vem de Deus, é bem verdade que nem sempre ela
acontece no plano terreno (Dn. 6.28). Mas aqueles que se humilham debaixo da
potente mão de Deus são exaltados em tempo oportuno (Lc. 14.11). O próprio nome
de Deus é glorificado quando mantemos nossa integridade (Dn. 6.26,27). A vida
dos servos de Deus precisa ser um arauto, uma pregação não apenas por meio de
palavras, mas, sobretudo, pelo testemunho de vida.

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