Texto Bíblico: Mateus
5.13-16; Romanos 12.1,2
Introdução
I. O cristão como sal da terra
II. O cristão como luz do mundo
III. O testemunho do crente
SERMÃO DO MONTE
As
passagens em Mateus 5.1 – 7.29 e Lucas 6.20 – 7.1 receberam esta designação
desde o início do século IV d.C., dada por Agostinho em seu comentário (De
Sermone domini in monte). O discurso foi feito em alguma colina, provavelmente
no planalto elevado da Galileia. Uma tradição do século XIII considera o
episódio como ocorrido em um local conhecido como “chifres de Hattin”. A
importância do prefácio consiste na expressão “vendo a multidão”. Percy C.
Ainsworth observa: “O grande comentário sobre o Sermão do Monte é a vida – a
vida como todos nós devemos viver – o pão cotidiano, a simples comunhão, a
fadiga trazida pelo próximo, e as lágrimas”.
O
Sermão começa com as Beatitudes (Mt 5.3-12) nas quais o Senhor Jesus mostra que
conhece bem o significado da vida e como ela deve ser vivida, mostrando que a
resposta para a busca universal pela felicidade só pode ser encontrada à medida
que os homens se identificarem com o reino de Deus [...].
Neste
sermão – que Lord Acton definiu como a verdadeira revelação de uma sociedade
moralmente nova – o Senhor Jesus contrasta ideias espirituais que sustentam a
conduta moral adequada, com as exigências meramente exteriores da lei. Ele
ensina que a ira que traz como fruto o assassinato é errada; que a
reconciliação com um irmão é mais essencial do que o desempenho de atos
exteriores de adoração; que o cultivo de pensamentos lascivos tornam as pessoas
tão culpadas quanto a prática do próprio adultério; que seus seguidores devem
ser extremamente comprometidos com a verdade, a ponto de os juramentos
tornarem-se desnecessário; que a vingança é maligna; que os inimigos, assim
como os amigos e benfeitores, devem receber nosso amor; que destacar os
defeitos da vida dos outros, e tentar remodelar a vida destes de forma intrometida, e tudo isto através de
uma atitude de censura, são repreensíveis; que o exercício da piedade como a
doação de esmolas, as orações, e o jejum devem ser destituídos de ostentação;
que o cristão só pode ter um Senhor.
Muitas
passagens notáveis podem ser destacadas neste sermão. Existem as parábolas que
falam da luz interior (Mt 6.22,23), e das duas casas (Mt 7.24-27). A oração do
Senhor, citada por Mateus, em sua primeira seção trata dos deveres para com
Deus, e, na sua segunda, trata dos deveres para com o próximo. O Senhor Jesus
preparou este modelo a partir de um contexto judaico, dando um exemplo de como
a alma, mesmo com poucas palavras, pode falar com Deus [...].
A
“regra áurea” (Mt 7.12) foi assim chamada no século XVIII por Richard Godfrey e
Isaac Watts. Willian Dean Howells em seu romance Silas Lapham (1985) usou esta frase que agora nos é familiar. Este
princípio de reciprocidade, que de acordo com Wesley é recomendado pela própria
consciência humana, tornou-se a base do sistema ético de John Stuart Mill. Este
princípio também é refletido na afirmação de Kant de que a pessoa deve agir
como se sua regra de conduta estivesse destinada – pela força de sua vontade –
a se tornar uma lei universal da natureza. A diferença entre a ordem categórica
de Kant e a “regra áurea” de Cristo é que a ordem de Kant não tem conteúdo,
enquanto Cristo resume o conteúdo da segunda tábua da lei moral de Deus. O
Senhor Jesus Cristo exemplificou a “regra áurea” na parábola do Bom Samaritano
(Lc 10.25ss.).
Texto extraído do “Dicionário
Bíblico Wycliffe”, editado pela CPAD.

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